terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Suspiros [Amor, íntimo e intelecto]



Sem segredos, não há como renovar a intimidade. Não se tratam de informações inventadas para desestruturar o psicológico de quem vive de forma intensa e compartilha do interior de alguém, talvez o que o autor desta frase quis dizer é que aspectos transcedentes, quando misteriosos, aguçam a vontade e o interesse em buscá-los.

Envolver os corpos por uma folha de vidro é sustentar a transparência e suscita a não-divisão. O espetáculo de natureza humana revela muito mais sobre quem vive do que sobre quem se importa no ato do segredo.

Quando você entende ou ao menos tem a intenção de compreender o universo de quem lhe é capaz de dividir seus átomos na troca de olhar, e tem a capacidade de renová-lo ao instante em que seu peito sobrecarrega de algum sentimento oculto ou intransponível, é saber que só se pode ter após sentí-lo. O intelecto trabalha e orienta para tornar o real dentro dos parâmetros da liberdade individual ao tempo que é compartilhada.

É possível sentir seu cheiro, seu gozo, seu amor há milhas de distância, como também é possível começar a conhecer os segredos que renovam a intimidade a cada momento dividido com a ampulheta. Eis a preocupação do sexto sentido incutido em uma relação.
Ninguém é ou pode ser substituível. Ninguém é insubstituível. Apenas se pode ser sendo e sentindo, caso contrário, não o é e a probabilidade de compreender suas virtudes fica inexistente.

Só olha para o passado quem não entende o caminho que é trilhado todos os dias por seus cinco, seis, doze sentidos. Se ficou estagnado em uma fase da vida, perceba: ela deve ser vista por outro ângulo e destemida. O presente é imperfeito e o futuro traz uma sensação obsessiva de pretérito em sua máxima perfeição.

Parágrafos soltos montam o quebra-cabeça da roleta russa que é a vida. Essa roda gigante de histórias da carochinha viram poeira perto do que podemos produzir em torno da nossa felicidade, da sua construção e de tamanha intensidade. Ah, o sentimento..

terça-feira, 22 de novembro de 2011

A beleza é musicada

Desde a hora em que acordo até quando vou dormir. A forma em que os pássaros embalam meu sono ao fim da madrugada é, sem medo, uma salvação para o cansaço. Como um segredo, a escola da vida ensina a musicar cada passo alcançado com sua partitura diária ininteligível aos olhos bastardos e manipulados pela rotina, embora identificada por quem dança na chuva.

Nesse percurso, cada melodia provocada pelos encontros acaba se transformando em força para que a humanidade sofra menos, aliás, sofra com o afago da beleza de cada tom incitado em preces catalogadas.

E o silêncio trovador cheio de estrelas?

Como viver sem música? Sem musicar a subida das escadas do colégio na infância, o contato do sapato nos pedregulhos infinitos, sem musicar o ponteiro do relógio, as palavras repetidas, as espalmadas aleatórias, o contato com uma caixa de fósforo, com o martelo na parede? Como não acompanhar a melodia jocosa do trânsito? Como não cantar em um banho revigorante, em um momento desconsertante? Como não levantar as mãos para o alto quando seu coração canta em compasso com os registros sonoros de compositores natos?

Não dá para não sintonizar a vida em um tom maior que a poesia se transforma em vida, em partituras simples. Trata-se de composições longas, firmes e derradeiras. Como não musicar conversas ou lembrar de canções a partir de uma única palavra?

É mais fácil ser alegre do que ser triste.
A música é uma das melhores coisas que existe..

-Feliz Dia do Músico-

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Bienal sergipana acontece sem incentivo público


Através do Núcleo do Saber Local, idealizado pelo professor, jornalista e historiador, Luiz Antônio Barreto, foi possível incluir no calendário do Estado a primeira Bienal do Livro de Sergipe. Não precisou ter a capital como sede para garantir público e sucesso do evento, já que há destaque para a cidade serrana, Itabaiana, com os amantes da leitura que têm a produção acadêmica e de livros como um referencial.

No último sábado, 29, a Associação Atlética de Itabaiana sediou este movimento que adere cultura e, por assim dizer, uma sociedade multifacetada inspirada em sua pluralidade intelectual. Foram 30 livros de autores sergipanos lançados na ocasião. E ainda há quem diga que Sergipe não se interessa pelo assunto e que sua gente deixa o tema adormecer junto com o interesse público.


Sem a intervenção de governo, o jovem Robério Santos, autor de duas obras, se inspirou na participação de centenas de pessoas no grupo fechado “Itabaiana Grande” do Facebook – onde estudantes, profissionais de áreas diversas se unem pela consolidação da identidade cultural deste povo nascido em berço esplêndido em plena região serrana de Sergipe.

O jovem entusiasta contou apenas com o apoio de intelectuais e empresários de Itabaiana para a realização do primeiro festival de leitura do Estado. Assim, expositores, autores, professores, estudantes de letras, história, filosofia e comunicação puderam participar da programação acompanhando o debate conduzido por Luiz Antônio Barreto, diante de figuras atuantes para o desempenho do projeto.


Representantes das entidades culturais – Academia Sergipana de Letras, Associação Sergipana de Imprensa, Universidade Federal de Sergipe, Universidade Tiradentes, Grupo Visgo de Jaca, da cidade de Lagarto, da Academia Sergipana de Medicina, do Grupo Itabaiana Grande, Fundação Aperipê, Biblioteca Epifânio Dória.


A promoção da Bienal foi da Revista PERFIL e da Info Graphics, com a participação da FM Itabaiana, ItNet e revista Omnia. Estandes que resgataram a identidade cultural do povo sergipano atraiu o público plural do evento, com exposição do Museu de Itabaiana, projeto de estudantes de Comunicação de Aracaju sobre Hermes Fontes, a simbologia colorida e atraente da Biblioteca Pública Epifânio Dória e da livraria regional que trouxe a exposição dos livros sergipanos em lançamento e outros tantos.

Destaque

O poder público interviu de forma regional. O que impressiona é a omissa participação do Estado em uma proposta de incentivo cultural para sua gente que tanto trabalha para construir um cenário de adaptação plural. Sim, adaptação, já que o sentimento que move é o da consolidação, no entanto, sem incentivo, participação e apoio da esfera pública, a necessidade se torna parcial.


Crianças necessitam da leitura para conseguirem alcançar um estágio relativo de desenvolvimento pessoal. Suas perspectivas deixam de tomar dimensão a partir do momento em que não entendem que há terreno próspero nos curiosos caminhos desenhados por narrativas, associadas à construção pessoal. O indíviduo se torna alguém preparado para encarar a rotação do universo quando se apodera do conhecimento.

haja

O saber precisa de mais espaço. Na estante ele sempre esteve, é necessário que mecanismos que o aproxime das crianças, com suas mentes órfãs de conteúdo e desenvolvimento social. A leitura é apenas um caminho... embora esteja com suas hastes degradas entre o emissor e receptor.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Espasmo. Antes era sono.


E a atmosfera lhe sorri. O tom de voz muda, a agressividade por ora impera para dar aquele grau de veracidade que só em grandes impactos a criatura se faz satisfeita e o classicismo retorna. Referências que parecem aprofundar a generosidade em um bálsamo não-incolor..

Nesse percurso, a energia está sob seu alcance e tudo parece te proporcionar um sentido mais exitante. Porque depois vira sono.

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Não tem como negociar, apenas acredita-se na energia. Por mais que ela advenha de ondas curiosas, o inusitado se torna a forma mais elaborada de se dar boas-vindas. A humanidade tem sabor de amarelo manga, sob preceitos do pão e circo... Se irrita ou convém, não sei, mas o universo em desencanto é paralelo aos anseios da ampulheta que se reinicia a cada espasmo de sensações.

sábado, 9 de julho de 2011

Sutil, na mente


Haja o que houver, a fome do seu coração nunca vai morder o que não for de consenso entre a vontade e o desejo. Quando é sincero, a brincadeira pode continuar porque não há cansaço, nem suor, fadiga ou palpitação que surpreenda o percurso. Um século, um mês, talvez o suficiente para que essa voz interior grite e faça quem for de direito ouvir sem ruído. Por vezes você pode surpreender. Mas não é para confundir; se esconder não é bom para viver. Lembre-se: tudo é relativo e a sensatez contém estranhamente seu encanto e poema novos.

A opção em escancarar as persianas é deixar que o Sol entre na sacada, essa luz inebriada, que invade território sem deixar que a essência e a força d'alma se percam... Aliás, não tem como ficar perdido. Basta seguir o feixe de luz. A espera tarda e sufoca e, como costume leal, não falha.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

O quê de mágico na felicidade




Dessa vez vai ser algo difícil de nomear, ou conceituar.. Trata-se de parte de um papo suave que tive com o Moita de sempre, conhecido também por Thiago. Deve ter mais de dois anos que nos conhecemos repentinamente em um bar que eu praticamente nunca ia e o cara-moita em questão, só estava de passagem. Uma semana pareceu um mês. Coisas de quem sabe dar intensidade à vida e a um punhado de amendoim, por exemplo.

Desde então, os cosmos nos acionaram e nos fazem pessoas descomplicadas e livres justamente por isso, pela despretensão original. A simplicidade dos atos é o que torna tudo tão saudável. Sentimento não se mede na ponta do lápis, mas me permita que seja compartilhado em alguns lapsos, como a seguir:

- Como está você com você mesma?
- Estranha, se assim posso dizer.
- Mas eu acredito que o seu sorriso tem o poder de quebrar barreiras intransponíveis..
- O negócio é alcançá-las..
- Questão de tempo; as pessoas vão perceber como a vida não deve ser levada tão a sério.
- Mas não se trata de ficar com cara de carranca, a parada é por dentro.. uma via única que não tem volta; ou o que será isso?
- Deve ser a necessidade de um retorno do amor que vc doa para o mundo... normal.
- Quanta destreza!
- Difícil essa sua situação
- ... Obrigada por me ajudar a encontrar o ponto ...
- Legal que a gente sempre nos ajuda nesses momentos, né
- Verdade.
- Quando nos conhecemos, estávamos dispostos a nos mostrar para o outro.. acho que isso facilita nosso entendimento um do outro
- Estávamos despidos de qualquer coisa que nos fizesse não sermos nós mesmos... e isso facilita muito mesmo, é um processo tão gostoso e saudável
- Legal. Queríamos enxergar a alma do outro; queríamos ver o que tinha atrás da moita..rsrs
- Isso..na moita do topo de cada um.. Tão bom. Aliás, mágico.
- Essa magia que queremos no nosso dia a dia
- Viu, como é fácil? A resposta é essa... Mas devia ser mais real do que já o é.

Pausa

- Voltei.
- Pensei que tinha dado uma de mago: veio, me ajudou, lançou a ideia e foi embora sem rastros..
- Ótimo poder conversar contigo e saber que vc conserva toda a sensibilidade da época que te conheci

Recíproca em palavras ocultas, quase mudas.

- Obrigado por despertar isso em mim, me sinto mais vivo e util.

Prosperidade da essência
Afago de boa noite em duas palavras e meia:
"Um abraço forte"


A propósito, a foto faz parte de uma sugestão dada e acatada.
"É vc dando o seu amor para o mundo; distribuindo"


Admiração, é o nome que dou para isso que tentei transpassar em verbetes pouco eloquentes para quem não sabe o real significado do (im)possível.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Que direito é esse?


Há quem deixe sua casa desorganizada por posuir um estado de espírito retraído, por entender que a bagunça seja seu lugar apropriado para viver, mas querer que esta atitude seja incutida à sociedade é um modo de enxergar a cidadania vestida por um futuro tenebroso.

E o ato de apoiar a impunidade tem se mostrado cada vez mais frequente em várias linhas de atuação da cidadania. Como o trânsito é um quesito que mexe na veia de todo mundo - afinal, a cidade foi construída para a locomoção e, antes de mais nada, é preciso que ela exista para a vida funcionar de algum jeito -, dessa vez a mobilidade de Aracaju foi "questionada" por um deputado que é radialista ou o inverso.

Para mim, a atitude de colocar o órgão municipalizado que cuida do quesito transportes e trânsito na capital sergipana na justiça por conta da eficácia do monitoramento significa duas coisas: uma que o serviço realmente funciona para a segurança pública e viária da cidade, como também trata-se de um elo detector e informativo de infratores (que, ora, merecem ser punidos). Não conheço a pessoa em questão, nem tampouco sei ou entendo suas pretensões neste momento, mas que por se tratar de um representante do povo enquanto deputado estadual talvez pudesse encontrar outra forma de angariar aliados. A não ser que a impunidade seja o direito do/para o povo. Será que é isso que a sociedade quer? Sorte ou revés?