segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Ninguém vê minha sacola!



Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do "stop"
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um,
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez e assistiu
Abra um parênteses, não esqueça
Que independente disso
Eu não passo de um malandro,
De um moleque do brasil
Que peço e dou esmolas,
Mas ando e penso sempre com mais de um,
Por isso ninguém vê minha sacola

-N.Baianos

sábado, 25 de julho de 2009

Nada


Já não me surpreendo mais. Com nada nem ninguém. Na verdade, as atitudes têm se tornado cada vez mais valiozas. Ao meu redor vejo gente que se camufla com verdades inconsequentes - e até mesmo intangíveis/indesejáveis. Prefiro ter um ciclo que seja surpreendido com performances admiráveis, seguidas por personalidades inconfundíveis e naturais. Bastasse os percalços que nos é pregado normalmente durante o decorrer do dia e ter que encarar indivíduos acometidos por atitudes intragáveis, já é demais...
Por isso que não me surpreendo mais. Apenas valorizo gente de verdade, que não retém sua essência e a difunde por onde quer que passe/abrace.

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Nada I

Televisão de madrugada é improdutivo demais, mesmo. Mas acabei caindo em um canal religioso e ouvi o seguinte: "Agostinho disse que amigo é aquele que tem duas almas". Taí, me surpreendi - não com nada não, mas o momento em que a frase foi dita foi arrebatador; e ainda ter sido justamente no momento em que meus dedos passeavam sobre o controle enquanto meus olhos e minha boca caíam em cima da capa dura do livro...

terça-feira, 14 de julho de 2009

vivendo e aprendendo

se a gente parar bem para pensar, tudo o que é verdade demais, pode parecer clichê para os que não acreditam. essa frase sai nos mais variados veículos e por fatores diversos, acabam dando prioridade à essa perspectiva. mas, o que eu quero dizer ainda não é isso (talvez o sentido do título não seja tão explícito aos que lêem).
...
procurar viver o lado da vida em que é possível sentir verdadeiro teor dos simples atos, as experiências se tornam mais valiosas, os olhos inspiram a sinceridade de um sorriso e assim é muito melhor viver e aprender (nesse caso, a prioridade é do gerúndio)

às vezes deixar de encontrar velhas pessoas do seu ciclo social para dar maior importância à quem verdadeiramente dá valor e prestigia o seu crescimento, é sempre a melhor opção para a noite - e ainda faz do inverno, verão; torna o pôr-do-sol uma imagem inexplicável. no meu caso, sorrisos, sentimentos, lágrimas, suor que contagiam o ambiente, deixam tudo muito mais leve e luminoso.

tenho sorte de, em meio a obstáculos, me deparar com anjos, cheios de asas para me abraçar. como posso dizer que isso é clichê? vivendo para crer.

sábado, 9 de maio de 2009

Diarréia


É inevitável não se contaminar, mas é possível que você se proteja contra isso, o mal que aflinge à pseudo modernidade: a diarréia musical. Ela se alastra pelos tipos sanguíneos mais desfavorecidos de bom gosto na face da Terra. Parece que os pais dessas criaturas nunca souberam que música é para ser ouvida, degustada como um bom café preto, que é preciso sentir a melodia tocar o seu dorso como a água de uma cachoeira para o objetivo da música ser alcançada; água essa fria ou não, a intenção é que entenda-se que a música foi criada divinamente para deixar os ruídos naturais do dia-a-dia mais sonoros. Mas muita gente não sabe o que é isso e me entope com o escarro musical de uma era descomprometida com a qualidade.

Salve-se quem puder!

sábado, 2 de maio de 2009

O jarro infectado





Cada haste parecia passear entre nós
o envolvimento era contínuo
sem interrupções!
Mas de uma hora para outra
inclinou-se ao passageiro;
igual ao que o trem anuncia
em suas trilhas irregulares..
Sua haste continuava lá, presente, com um status
diferente do que a sugestão antes havia indicado.
Imaginar, hoje, já não é nenhuma solução
O que nos resta é uma caixa empoeirada embaixo da cama
com porções de razão que o elástico envolve sem nem perceber
e (des)envolve
Porém, cura não mais é encontrada em bosques..
Sim..
A caixa empoeirada cultiva suas hastes menos importantes
O jarro infectou-se repentinamente;
sob uma condição que jaz no colorido de novas faces,
novos declínios e novos sabores!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

De ré!

Dia desses me senti ao contrário! Eu sabia que estava seguindo em frente, mas a minha mente só resgatava fatos históricos e meus olhos a acompanhava. Ao invés de avistar as setas da maneira mais provável, a retina tava programada para observar sinais contrários ao convencional, indo em frente, eu via o sentido de costas. Enquanto isso, minha desfalcada mente me arrastava para os mais antigos acontecimentos - que de tão velhos, nem fazem mais parte de mim (nem faço questão de tê-los)...

Por que agora as frotas mais recentes de ônibus nos colocam nessa berlinda? Tem cadeira que fica de costas para o motorista e foi nela que minha vida plantou bananeira para a rotina natural dos fatos!

sábado, 25 de abril de 2009

Perspectiva borrada


Cabeças, chapéus, guardas-chuvas substituem (ou não) os movimentos singulares de cada indivíduo; unificandos-os em uma massa que transcorre em sentidos opostos, porém, semelhantes. A agonia da multidão transmite uma sensação de desespero, já que as feições perpassam, em tempo indevido, algo inalcancável.

Inesperadamente, todas aquelas pessoas cessam a correria e apreciam o momento delas próprias. O caminho, que antes era impossível de encontrar seu asfalto por possuir tantos corpos aglomerados, agora borra-se para o espetáculo da rotina desse povo justaposto. No entanto, a solidão é que vem à tona nas calçadas e nas vias expressas (de gente), enaltecendo a mancha de cada simples perspectiva.

Unidos a uma causa imperfeita do pretérito causado pela vida, permanecemos em multidão, no vulto peculiar de cada indivíduo.

domingo, 19 de abril de 2009

Conjugue-se


Pode parecer estranho, mas às vezes a sua cabeça confunde tudo aquilo que já está praticamente definido a sua volta; como por exemplo, amizades. Ultimamente tenho entrado em conflito comigo mesmo por conta disso, talvez até por eu exigir demais das atitudes de pessoas que se dizem fazer presente nos meus mais variados tempos conjugáveis. Sim. Ninguém tem obrigação nenhuma de estar ao seu lado, de querer saber o que se passa contigo, de ter saudade da sua risada, do seu mau humor, do seu ponto de vista.....mas você tem, no caso, eu tenho. Como eu espero demais das pessoas e tenho quase retorno nenhum (do nível que gostaria de ter), eu acabo me especializando nessas situações. Prefiro não ser nada a ninguém do que não representar nada a mim mesma. Construir as minhas aptidões perante o mundo não é uma forma de enaltecer à simbologia humana, mas penso que seja essencial para preservar a minha própria espécie! Mesmo não gostando de conjugar o verbo da vida em primeira pessoa com frequencia demasiada, tenho tido essa condição para manter a minha mente como afluente.

e por aí vai...por aí vou.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Divisão/fronteira



Da caneta à alimentação, do papel à cor do esmalte, da cadeira ao assento, de tudo na vida ao que se vive. Tudo não passa de escolhas, de ter um olhar apurado para identificar em qual etapa dessa divisão se pretende estar. Se é que "estar" seja a condição mais plausível para um caso desses.
Na época em que meus pais namoravam, eles optavam colocar o lado A do vinil para tocar porque sempre tinha mais músicas que o lado B e durava o tempo de um incenso de canela queimar por completo. Até o tipo do arroz, a minha vó prefere o parborizado porque dá mais sabor à comida, mas, em contrapartida, é mais caro (?).

A peculiaridade das coisas, está na(s) forma(s). A singularidade da vida está para a maneira em que se vive; em que se opta entender o que singinfica conjugar 'viver' no seu tempo perfeito. Ou não. Mas há a danada da contrapartida para contrapor o que é dito e feito pela mente humana.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O que há de novo?


Depois de ter vivido o segundo extra de 2008, eis que a folhinha do mês cai para dar lugar ao mais novo ano. Ele é recente, por isso que novo.
Agora é vez de viver as últimas novidades da vida, de definir o que será inovador ou não, o que será diferente ou não, o que terá vez e o que não fará parte do cotidiano. Quem tem dias programados sente na pele o significado do novo ano na vida; mas para quem não sabe nem quantos anos tem seu filho mais velho, a tal virada não passa de um momento alusivo. Talvez se essas pessoas se permitissem um pouco mais do que elas pensam que podem, a chegada do novo teria mais receptividade - ou não.

É peculiar do ser humano ter auto-estima demasiada e essa característica faz do caminho da vida (à moda antiga) ser extraviado e outros sentidos serem adaptados. Tem tudo para ser dúbio, devasso e/ou demagogo, mas se é assim que faz sentido, então que o seja(mos). É peculiar ao ser humano...ser humano dessa maneira e festejar por isso. Festejo pelo ano que tem intenções fortíssimas de ser da minha construção pessoal, profissional e passional. Aí sim! Que venha 2000inove - com seu viés da inovação apurado!

domingo, 14 de dezembro de 2008

Desordem na conjugação


Ser o que se é
Ser é o quê?
Se...
Não sei!!
Talvez permanecer
no que habita o ser
seja a válvula mais próxima ao escape;
mas para as escapatórias vividas
também há saídas..
Emergência!!!!
Melhor priorizar o seu ser
sem permanecer,
sem querer,
ser o que se pretende ser
ser o nunca sempre que puder ser
ser o sempre nunca que quiser ser
ser o instante apenas sempre e nunca em que se pretender
ser..
incluir o humano e fazer uma vitamina
para ver se é possível nunca permanecer
apenas no bar da esquina
mas fazer do gerúndio a sua única ponte
até onde o ponteiro indique a saída

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

..refletindo..


Parece que a barraca do acampamento desabou no meio do nada! Só tem grilos, passarinhos construindo uma mansão nos galhos que nem estão mais presentes...mas parece que o barulhinho bom do beija-flor permanecerá e a profundidade que um vaga-lume pode alumiar, parece estar encadeando mais do que se poderia imaginar.
Assim permanece a melindrosa, com seu desengoçado ar de sem noção, jeito chato de falar e ingênuo gênio de ser perambulando o percurso que um dia só pôde ser reconhecido devido ao quociente existente entre a leveza e sutileza do beija-flor, com a fugacidade e a genialidade espontânea do vaga-lume.
E ainda dizem que não existem mutantes...com Helga e Maira na Terra, conseguindo adestrar um ser humano como eu, é praticamente provável que o apocalipse esteja a um colapso de segundo!

Ser humano pode ser muito de tudo o que se pode/quer ser...Mas ser tudo isso é amadurecer junto com o tempo, após o soco, ter a malemolência de se recuperar gatinha - com direito a rímel, blush e calça justinha.

Uma é mãe e a outra é madrinha.
Como estou de carona, usufruo todos os lados de cada lado dessa moeda (que, por acaso, é composta por cada face delas) e me sinto ainda mais completa...É o grande feito da natureza.


São elas duas na Terra e Amy Winehouse no manicômio!!
e o 'beijosmeliga' vira o spot pra vida.

terça-feira, 25 de novembro de 2008


Quando alguém está mal, a pior coisa é virar para ela e "- nossa, você tá diferente hoje, né?". Lógico, a aparência não nega o que é visível. Pior que isso é quando a pessoa que está sendo indagada recebe tal questionamento de pessoas com um certo nível hierárquico maior que o dela. E, que inclusive, ainda teria que pegar um ônibus, estudar durante o percurso de 40 minutos o assunto que cai na prova recém-descoberta que teria nesse mesmo dia...E, bem, inevitável que agora, essa pessoa que passou o dia resmungando, se descabelando com matérias para cima e para baixo, em pleno pós-período-menstrual, com dor de barriga de pós-ressaca, gostaria de esquecer que continua chata e insuportável até o dado momento e que amanhã, certamente receberá comentários a respeito do dia anterior, quando ela "nossa! como você tá estressada"...Um ciclo terapêutico, é o que preciso. Talvez seja o final de período, junto com a vontade de andar de bicicleta até a praia todos os dias, com um açaí completo na volta para casa.


P.s.: http://danilogentili.zip.net/ é uma boa fonte para diversão! Fikdica.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Péssimos Sentidos

Sintomas
sinto mais
minto menos do que sinto
sinto o mal que isso faz
sinto a mais
o menos que isso me traz
sinto não ter mais
sinto a falta que faz
sinto..sinto..sentindo..
sintomaS

domingo, 16 de novembro de 2008

Evite a fadiga



Cada vez mais, nosso país é vendido ao preço da miséria que é vivida e percebida por todos, dia-a-dia. É fato. Policial se render por vinte reais, é o cinema da patroa que é garantido ou um bordel fracassado ou ainda, colocar no lixo toda e qualquer reputação que sua classe merece? Sei lá... Usem cinto de segurança, crianças! E evitem a fadiga.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

ti ti ti




Se me chamassem para responder aquelas perguntas típicas de revistas Tititi, Capricho, Caras e até mesmo, de ‘entrevistas’ que alguns colunistas sociais se submetem em fazer, das duas uma: ou recusariam as minhas respostas e as adequariam ao interesse do veículo, ou eu nunca mais teria que procurar espaço quando me formasse. Que espaço acolheriam meu diploma. Opa! Eu falei em formação acadêmica? Pois é, é sobre essa questão que quero falar.

Imagina que na terra bushiniana não é preciso ter conhecimentos específicos na área de comunicação social para exercer as atividades ligadas aos segmentos deste curso. Por quê? Não se preocupe; também fiz a mesma pergunta... Talvez seja porque os americanos já nascem sabendo da sua responsabilidade social; talvez eles nem se surpreendam com as vertentes que o Jornalismo propõe. Pior: talvez, mesmo, que essa atitude tenha ligação restrita à política norte-americana. BINGO! Mas é lógico!! Pra quê capacitar sua gente em relação a todo o espetáculo armado, insistentemente, à sua volta? Fazê-los pensar/refletir/indagar/investigar acerca destas imposições que já são tão enraizadas no cotidiano [e ao redor de Bush], seria, no mínimo, coisa de submundo.

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Mas é nesse canto aí, abaixo de qualquer expectativa para um mundo sobreviver, e praticamente quase que indecifrável, onde as pessoas são gente antes de serem armas contra a própria sociedade. Mesmo que muitos acabem sendo negligentes e até indigentes, mas, têm (e são) gente. Respiram, pensam (às vezes) e o melhor: vivem. E é vivendo que a gente se surpreende!

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E quanta discrepância! Ora, quer dizer que o berço brasileiro já é capaz de fazer o mesmo que acontece lá nos EUA da vida, é? Como assim!? Como será viver em um lugar onde as únicas regras que são (ou ao menos deviam ser) respeitadas deixarão de existir? Sim. Esse é o caso do promissor futuro do Jornalista no Brasil. Já que pretendem

Já não bastasse a falcatrua sócio-cultural que o bando das bandas de cima da América Central fez com aqueles com sangue tropical e com tantos outros que sobrevivem em diversos tipos de terras pelo planeta. Moral? Se dinheiro e desenvolvimento embrionário que se obtém à custa do sacrifício de seus conterrâneos sejam sinônimos disso, então talvez tenhamos encontrado o ponto-chave do negócio.

p.s.: Tente escrever américa no Word em letra minúscula!
p.s.1: Tente falar para o seu chefe abrir um documento em... Letra? Ao invés de Word! Não tem jeito. Negócios são negócios; e essa questão de dominar o mundo a língua faz parte do negócio.

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Negócio... Tantas conotações para os brasileiros! Nas últimas das hipóteses, essa gente utiliza a definição que esteja mais próxima à que business tem.
“Pega logo esse negócio, menino!”
“Mas que negócio complicado!”
“Saia já daqui, seu negócio de outro mundo!”
“Acho melhor pegarmos logo o negócio que está debaixo da cama”
“Foi um negócio conseguir isso...”
“Minha vizinha está de negócio na perna.”
E, depois de tantos lares e vidas percorridas, consegue-se ouvir: “Vamos fazer um negócio?”

Mas é um negócio mesmo...

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Não tem jeito. É no país onde mais se possui riquezas minerais, culturais e sociais que sua gente consegue ser feliz – mesmo que não tenha motivo; mas sorri-se. É nessa extensão territorial que tem tantos profissionais competentes, que as falcatruas locais passam despercebidas. É tanto talento, que o negócio fica lento. E quase pára. Mas não: o de cima sobe, e o de baixo desce! Seguindo este ritmo, windows, mc donalds, softwares, ipods, mp3, ice, shopping, light, wafer, donnut, express, shampoo, extreme, excel, page macker, photoshop, e tantas outras palavras em itálico surgem diante dos olhos, que até o ‘Word’ acata algumas e já as introduz em seu dicionário on line.


Mas eu me abstenho e prefiro ficar no off por alguns momentos. . .

domingo, 10 de agosto de 2008

Roteiro pré-destinado




Partindo da minha chegada à Terra, já escolhi nascer no mesmo dia que o dele. Preferi causar incômodo e dores maiores na minha mãe e passei quase 20 dias a mais no ventre para dar os primeiros gritos num dia 19; que nem ele. A partir daí, as desavenças contraditórias causaram a nossa união. Eram as fraldas o tempo todo que tinham que ser trocadas até o talquinho nas assaduras do bubú..Ele realmente teve participação assídua na minha formação.
Mas antes d'eu ser alguém que representasse um espaço na vida, passei muito tempo sendo a 'rosinha roxa' que pedia para ser acordada 2 horas antes de bater o sinal do colégio para que ele fizesse um par de tranças -que pareciam dois toloquinhos imprensados- no meu cabelo. Eu achava aquilo lindo! Definitivamente, esse pentiado só ficava atrás do rabo-de-cavalo em cima da orelha; era o meu preferido. Deixar o meu cabelo torto era especialidade da casa (devia ser pré-requisito para pertencer à família). Fui crescendo, aprimorando a arte de pentear o cabelo e não precisava mais que ele as fizesse em mim...já conseguia fazer sozinha - mas antes de descer no colégio, lóógico que ele apertava bem a xuxinha; pq "cabelo no olho dá tique nervoso, filha! deixa eu tirar isso daqui" e lá se ia mais um tufo embora...
Falar em ir embora,
me lembro na época em que era moda ter carrinho para carregar a mochila -e aquilo tinha mesmo serventia! A professora sempre pedia todos os livros!! Nisso, depois de ter esperado quase uma hora de rango para ir para casa, meu irmão chegou primeiro no carro e ele, sem rodinhas, já ia com o bornal no colo e sentado no passageiro. Cheguei em segundo, abri o porta-mala e "Pow!" fechei. Mas o barulho é realmente semelhante ao que a porta faz, não é? Meu pai achou idêntico e foi-se embora!! Me deixando com os olhos arregalados, as pernas trêmulas e o coração apertado ali mesmo, na rua e em frente à porta do colégio. Por alguns segundos pensei que ele iria mesmo me deixar ao relento; mas nada que uns pulinhos e uns berros não o fizesse dar ré e me esperar sentar no banco traseiro.

Nesse tempo bom de criança, eu fui muito de aprontar. Testava a paciência do velho. De pavio curto como de costume, ele não tolerava essas coisas de criança ter birra nas horas mais inconvenientes, não. E eu paguei por isso.

Mas pagava numa moeda bacana...quase um masoquismo!
Enfim..
fui crescendo e atinando para as manhas dele na comunicação integrada à realidade sergipana. Aquilo tudo me fascinava. Aqueles jornais soltos pela casa; aquela plaquinha que pertenceu à sala dele por quase uma década que dizia "Gerente de Marketing" também me soava como sugestivo...Todas aquelas pessoas ao redor..Aquele horário incerto de chegar em casa..Aquela não conformidade com as atribuições feitas na sociedade..Uma intervenção categórica, diria. Tudo isso só fez me aproximar; mesmo que inconscientemente da sua realidade...que do 1° ano colegial até o 1° ano da faculdade de Jornalismo, fui estagiária dele na sua agência de comunicação. Eram clientes poderosos, influentes e até mesmo afluentes...e eu lá, no cantinho, observando cada movimento...e eram nos movimentos dos meus recortes de jornais que fui ficando craque! Clipping? Comigo mesmo! A tesoura segue no papel rasguento e manchado de cinza como uma navalha...Mas, por sermos tão iguais e parecidos nas atitudes (que eu tanto o imitei!), não nos dávamos bem no ambiente de trabalho -que era confundido com o familiar; sim! A sala fica a 27 passos e meio do meu quarto e a 10 da cozinha..), que, por unanimidade dele, que por conta da democracia estabelecida no lar, fui afastada do meu cargo.
Já era hora de sair das asas protetoras e arrebatadoras do papai; não?
Fui jogada no mundo totalmente business...e tentei correr atrás...tenho corrido!
E continuo a usar o outro lado do cotonete que ele usa, a mesma escova de dente, a mesma toalha que a dele, continuo a roubar as moedas de 50 centavos da sua cabeçeira para inteirar na passagem, também futuco a gaveta de meias sempre que é necessário, continuo o contrariando com as minhas imperfeições, continuo com as minhas confissões macabras, com as minhas ligações infortúnias, e ainda assim, ele me apresenta aos desconhecidos como sua vizinha de quarto; o que faz com que muitos pensem que temos um caso! Já tive aula dentro dos padrões acadêmicos e continuo levando as lições que aprendo no dia-a-dia para o resto da vida... Somos assim: librianos com a diferença de trinta anos no traçado e com tantas semelhanças na personalidade, que as vezes, parecem soar como diferenças. Aos poucos, a gente aprende com isso...aprende a perceber que são das controvérsias que nos trazem a oportunidade de um relacionamento um tanto quanto personalité.

E só para reforçar: o precursor da minha idéia de ser/ter um Pão com Durex... Ele tem total responsabilidade nisso que nem deve saber. Mas se sou quem sou hoje, sou uma pessoa praticamente no SPC por ele. Devo demaais ao meu guêno tanso... Ê criaturinha que me abençoa, viu?

-paaai, cê me busca?
-mas filha, é só apertar o botão que vc chega sozinha!
-eu sei...mas cê me busca?
o relógio nem funcionava direito e lá vinha ele, de samba canção abarrotada e cabelo engruvinhado que a mim tinham total semelhança com as vestimentas do maior super-herói, abrir a porta e me colocar para dentro; com total dedicação..


O melhor de tudo é que eu sei que é a pessoa que me acompanha e conjugará esse verbo sem cessar.

dá-lhe!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Re-conhece em tópicos



Reconhecimento é algo mesmo valioso!


É criado um sentimento bom, de responsabilidade nos [seus] atos, que fica difícil de dizer. Tão difícil quanto aprender a diferenciar um sul koreano de um chinês macabro olímpico.
* * *
Incrível é saber que você é o que você sente, compartilha, vê, comporta, dribla, engole, respira e age.
* * *
As façanhas do mundo real trazem à tona todas as dificuldades de um (AQUELE!) surrealismo barato que encontramos em qualquer tempo de carnaval...é o complexo de façanhas que traz à tona, inclusive, àqueles temperos que, por ventura existiram, mas deixaram de ser permanentes para virar pó em menos tempo que se pode imaginar. E, o incrível, é o ser humano não perceber que aquele tempo bom, contextualizado por confetes em formato de copos, cartas e fotos - e longe dos trios elétricos e abadás-, fora destruído como se fosse uma janelinha que pisca insistentemente no seu computador e que é extraviada de tal seu convívio com uma mísera ação ESCal...Simples assim. Um único gesto simbólico com o dedo, como um oi mesmo;

Como se isso fosse tão inusitado quanto estar vivo. Mas a vida tem dessas coisas..O mundo real proporciona situações estrambólicas a cada dia, que você percebe que estar vivo é muito mais que permanecer e de, principalmnte, se permitir viver;
e
Parece que se formar pode ser a salvação. Dizem que jesus salva...mas se ele nem conseguiu se livrar do tronco, dirá nós, pobres e meros montes de mortais que mal pensam ou repensam suas atitudes mundanas. Seria mais vantajoso saber o que se pode ser feito para que esse quadro seja revertido em virtude daquela mencionada láá em cima...palavrinha digna; essa: Reconhecimento.

Um ato nada falho quando se trata de gente....e esse tipo de gente, que nível espiritual não têm, heim? Mas se nem Mário Bross escapou, dirá eu, da segunda, terceira, quarta fase até que eu sente na mesma poltrona que o chefão. Big boss é carrasco e não salta sobre cogumelos - o que lhe pode causar aflição...Portanto, deixemos muito disso de lado.

Convenhamos...

reconhecer a dignidade que seu corpo envolve sua pessoa é ter título mais merecedor de tal...é quase tido como motivação que inspira consciência na relevância do próximo (ou não).

terça-feira, 29 de julho de 2008

Sorrindo contrário do céu

Como se fosse um acento circunflexo no céu, que ultrapassa as nuvens aconchegantes,
sinto-me como se fosse uma haste que equilibra o homem suspenso no mar. E me sinto suspensa..pelo reflexo do mar, consigo respirar e transcender a cada onda que lamberia minhas pernas; caso eu estivesse no lugar dele. Mas não. Já estive.

Houve o dia, não muito distante, no qual eu precisei ser erguida em plena imensidão do horizonte..fosse por quem quisesse que fosse, mas eu necessitava sustentação. Sem ostentar nada! Apenas buscando à felicidade..não acreditando apenas que a esperança é dura e amarga..nem que a gente morre tendo esperança e vive morrendo por ela. Mas, ao procurar por um sentimento tão puro, o homem que segura as hastes -que o levam de encontro ao acento circunflexo do céu- não percebe e não pretende crer em nada disso.
Apenas almeja algo maior que ele mesmo;
algo tão intenso quanto a imensidão;
algo tão profundo quanto às ondas que vêm e que vão
e sem perceber, lambem as pernas que rangem por cada movimento alísio..por cada vento contraditório...como ele;
ele: o homem que não pretende desgrudar-se desse fascículo da vida tão cedo; como eu não pretendia me desprender de tal fascínio tão cedo.

^

O acento nasce e morre com a mesma função; por ora no papel, ora no céu..
não importa! Interessante é saber que a felicidade nos deixa de cabeça pra baixo...ou antes de tê-la é que vivemos assim, desse jeito, plantando bananeiras, para que depois, aí sim, tenhamos a tal felicidade. Talvez seja como o mar, a imensidão, o horizonte, o outono, o homem e a haste...numa sincronia tanto quanto imperfeita.
Mas, longe de mim!!!
Nem no céu, nem no inferno..quero que tudo mais vá para o inverno e sobreviva à ele. Depois me contem...me encontrem numa Bússola! Prefiro.
Ampulhetas me causam náuseas...
e quero continuar sorrindo de cabeça pra baixo. Que nem o gato de Alice, naquele País das Maravilhas alucinógenas..onde só se via o sorriso do bichano estampado no céu e nada mais tão surreal. Fizesse dia ou que tivesse um sol enorme...ele estava lá, tonto, com tontura estonteante.
Assim mesmo:
embrulhada por doses de esperanças que causam conseqüências tão infinitas e intangíveis quanto o próprio nome já deduz/traduz..



contrarie o céu e sorria; como se não fosse antagonismo algum!

sábado, 19 de julho de 2008

Fábulas da vida


Os cacos formam as astes;
embriagar-se já faz parte
do processo imundo
e o homem apodera-se
do todo para fazer da parte
o seu mundo.

Já nela,
na porta de dentro de gente,
confunde-se com os cacos
que o homem algum dia se apoderou,
que o homem certo dia fez parte,
que certo homem apoderou-se
do dia, do que vem de dentro de certa gente e lhe fez parte;
e confundiu suas mentiras como sendo verdades
para apertar o pause como se fosse um start distante..
mas deu stop e o trailler nunca mais deu espaço
à cronologia simétrica da vida enquanto flores

Como se fosse nela
a janela abre porta à esperança que
com seus óculos sem forma
que destoam suas cores
compartilha da mesma sinergia
compartilha energia que certa vez
foi sentida algum dia...
E fecha-se
com sua chave no peito
encafuada na ampulheta
que foi sua um dia...
E permanece como se fosse
como se continuasse sendo dela

ah, Janela..