terça-feira, 30 de março de 2010

Feixe irradiante


Fenômenos acontecem, isso é óbvio. O mais interessante nesse caso é que as pessoas atribuem qualquer manifestação à natureza e... pronto! Acaba esquecendo do poder que 'as luzes' influenciam sobre os homens, nessa atmosfera mediana na qual vivemos intempestivamente.

Levando em consideração esse aspecto, imagine-se em meu lugar: como um dia qualquer, você olha para o céu por olhar, por contemplar - sem muitos motivos óbvios, apenas por gostar de apreciar o que é bom e que lhe faz bem - e eis que a lua sorri mais para você do que o costume. Resultado: uma circunferência perfeita e simétrica englobando a gorduchinha irradiante fixa-se no céu por muito tempo (e suficiente para você devorar um sanduíche gigantesco com engordeirante livre e fritas acompanhada de seu amigão). Agora, o efeito que o céu photoshopou naturalmente, criando um espetáculo emocionante e envolvente, é simples: tem referência ao que é divino e maravilhoso. Apenas.

*A figura que ilustra o texto, suguei do Google Images, e achei que foi a mais próxima do ocorrido; já que o flash da minha câmera nunca alcançaria o feixe irradiante que entornou a lua no último domingo.

terça-feira, 23 de março de 2010

Conversa séria - constelando


O que é mais importante: a felicidade ou o momento?
Com a primeira você vive tudo, inclusive a intensidade daquele que a vive atribui. E do momento você filtra o passado que já foi, o futuro que ainda não é, para só então reconhecer o presente que se vive. Por isso que o mundo às vezes é pequeno para tantas cabeças que pensam e conversam entre si.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Quanto custa a verdadeira felicidade?


Já nem sei mais quantas vezes assisti o filme Into The Wild, mas hoje fui na versão dublada; e, acredite, até assim o filme consegue ser maravilhosamente perturbante e dócil - em todas as situações fiquei inquieta com a mensagem fisgada.

É baseado em história verídica de um cara que atravessa seu país em busca de seu sonho. Enfrenta os medos impostos pela sociedade, descobre a generosidade até então nunca vista, percebe que a sabedoria é vindoura e assim o filme transcorre, como se fosse um livro - demonstrando todos os ensinamentos que ele vive e enxerga à sua volta. No final das contas, o expectador percebe que ele foi mais feliz em dois anos intensos nos quais ele atingiu seu objetivo e solidão, totalmente into the wild, do que se somasse tudo o que vivera dali para trás em 23 anos.



"Hapiness only real when shared"

"If you want something in life, reach out and grab it!"

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Sensação: esmagamento


Estava parada, sem redomas, apenas sentia o vigésimo pôr-do-sol do dia, quando de repente, alguma coisa pulou em cima de mim e me agarrou; invadindo meu rosto, pescoço, braços e minhas pernas. Fixou-me algo nos olhos que nada mais pude enxergar naquele momento. Porém, esqueceu-se de que a "memória é uma ilha de edição" e tudo o que vivera até ali havia sido armazenado com direito a melodias, cheiros e sabores.

Nada mais a mim importava.
Do jeito que me deixara, continuei. Continuei pálida, fria, congelada. O castelo logo desmoronaria e essa alguma coisa perceberia que o sentimento é inalcançável, assim como as cores multifacetadas que brilharam na minha pupila durante as expressivas passagens do sol pela minha janela. Repentino? Não. Duradouro.

- O bule já sinalizou novo estado de emoção do que ele armazena em si..inside.

- Isto é, sem amarras, pois já era hora de levantar para encarar a maestria do dia lá fora.

- Bom dia!


Foto: RPassos

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Rememorar

A exigência que eu tenho com os fatos que acontecem no presente e que logo torna-se efêmera e coisa do passado geralmente passa despercebido por aqueles que não acreditam nisso. Confuso? Não. Somente que existem pessoas que acham as manifestações corporais muito mais apetitosas que um sucumbido calendário pendurado na parede da cozinha que remete à um convite (in)esperado. Mais ainda: que só tem valor aquilo que eles (estes os quais direciono esse pensamento) deduzam que tenham; até porque a folhinha que marca os dias do ano é tão passageira quanto ao corpo que reage a alucinógenos baratos e por aí vai.

Por isso (ou não), compartilho um espasmo que tive na mesa molhada de um bar com um amigo transcedentista, em agosto de 2008, em meio à "tempestade de devaneios" que tivemos juntos:

- Essa história de esquecimento parece mesmo perder-se no meio da avenida atropelada por analogias olímpicas, principalemnte quando duas mãos anormais estão submetidas ao placar decisivo do que se pode ser sentido. Ponto final talvez não seja bem-vindo, mas, porém, contudo, todavia, gnomos surgem sem perceber. E aí? Maçã? Bem..pode ser!

- Um cigarro e um vinho, talvez uma batida pra aquecer.

...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Ouvi(ndo) por aí


- Ninguém entendeu. Aquele domingo que trouxe a chuva, em companhia dos relâmpagos e trovões para o início da noite, foi justamente com o intuito de tranquilizar a alma de muitos que têm sentimento puro (ou seja: misericórdia) e que vêm para essa escala da vida a fim de nos equilibrar.

- É tenso...

- A chuva mitiga os poros abertos daqueles que sofrem. Muitos não percebem ou fazem-se de desentendidos. Tudo é tão divino e maravilhoso...basta apenas prestar atenção no refrão e ficar atento à sorte, sem temer a morte.

- É, tenso.

- E acredita quem pode.

sonhos e abrolhos

Tenho andado distraída com tudo. Esse momento de renovação de contrato com a vida é intenso demais e às vezes me deparo com situações que eu nem queria passar. Na verdade, preferiria que as partes onde há espera fossem puladas como quando eu brincava de escalar pneu em tempo de colégio, em que a regra era básica: um salto atrás do outro.

O tempo não para e as minhas vistas não são mais as mesmas em relação à tudo o que ocorre ao meu redor. As vértebras estão preocupadas com o amanhã e ninguém consegue me responder mais nada.

Fatos ocasionalmente especiais que perduram a vida inteira, mas que, no entanto, são vindoiro apenas para os que enxergam em uma dimensão superior a esta. O que é raro e muitas vezes espero demais que aconteçam. Por isso que uma coisa é certa: vou atrás de mim.

Parece nada com nada, mas sou eu com uma pegada intimista de leve, onde tudo pode(ou não) ser sonho e abrolho.

domingo, 15 de novembro de 2009

t a r p í c u l a s 3

Muita, tinha muita gente. Pessoas não-sonoras em todos os sentidos. Eu não consegui me reconhecer naquele espaço até um cara aparecer com sua mochila desengonçada, cheia de histórias, garrafas e aspirações. Destacou-se. Sua cabeça era um livro com subtemas aparentes e relacionados à toda e qualquer etapa que uma vida pode enfrentar. [O cara era colorido e o resto, preto e branco].
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O relógio toca!
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A tristeza surge, em um dado momento, para provar que o real vivido não é, absolutamente, o que se tem no imaginário. Daí você é acometida por esse sentimento trivial, sujo e frio e a única percepção que lhe é criada em mente é a de que também está inserida em meio àquelas pessoas cinzentas, sem meio reconhecimento.
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Destaque.
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No primeiro momento sim, pois os movimentos refletiam-se em gestos sonoros e com pigmentos de cores, mas é assim que se descobre que a associação é apenas uma associação.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

epiderme


Ouvi dia desses que atribuir sinceridade aos sentimentos é motivo de piada.
É como se não acreditasse mais e nem desse importância ao combustível que confere ao ser humano. Sua apropriação é dada em determinadas etapas da vida, nas quais você pode interpretá-las das mais variadas formas, inclusive àquela que, na sua concepção, é digna de retratá-la com o seu ponto de vista - é como se uma identidade visual fosse criada a partir do que se é vivido e encarado como etapa fincada em si. Tem coisas que a gente não explica, mas de vez em quando, tenta-se para fazer o outro entender e compreender do que há na sua composição. No entanto, tem horas que comentários escrupulosos são tão meticulosamente pensados, que a vontade de dizer alguma coisa é subtraída pela vontade de arremessar a pessoa no rio, por exemplo. Mas depois você solta o cabelo, desabotoa a calça e a camisa para pular logo em seguida, mostrando na prática, o valor desse sentimento, dessa atribuição, dessa identidade.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

como anda o seu léxico?


Certa vez ouvi um camarada dizer que "é dois", no sentido de afirmar sua condição diante do fato anunciado. Não é de se espantar, eu sei. No entanto, parei, acendi um cigarro e refleti. Cara, o ser humano consegue pensar em si até mesmo sabendo que o numeral pede plural, pede continuação.

-Que frio.. BrRrrr
-É dois!

Torna-se dois por associar-se a alguém, porém, o verbo conjugado no presente, em sua primeira pessoa do singular, justifica a afirmação anterior ao exemplo.

Linguística: Prôfa Ester Chimarrão Mambrini


Imagem: Kelly Nuñez, um achado googlístico

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

t a r p í c u l a s 2

Noite. Teatro. Frio.
Arrogância, disciplina e ideologia.
Do relógio não ouvia-se nada, apenas a voracidade de seus olhos que gritavam ao enxergá-lo. Não era tanto, o frio parecia acobertar as sensações, os sonhos e desejos. Naquele rosto, um capuz, onde a barba e sorrisos respiravam tenebrosos, de modo como quem sabia que sorria por sorrir. Na janela, uma revolução acontecia. Comunistas lutavam pelo espaço que a burguesia, por sua vez, tentava torná-lo propriedade a todo custo, mesmo com pouca propriedade; os comandados obedeciam. No entanto, carvões tomavam lugar dos muros fétidos das repartições moribundas, e o sorriso, sobretudo, tomava conta do capuz e de todo o tapete da sala de estar daquele aparelho rastreado. Era como se nada houvesse da cortina para lá, a única cena que valia à pena assistir era o de seus corpos, sob uma dança feita com vestidos de lunetas, passado, presente, particípio e sendo o mistério do planeta...

sábado, 31 de outubro de 2009

20 anos em 4



Parece que foi ontem, quando entrei na universidade para prestar o curso dos meus sonhos e que fui percebendo, no decorrer das folhinhas do calendário, de que seria a minha paixão. Incrível é perceber apenas agora que o que os nossos pais falavam a respeito da vida acadêmica tem mesmo veracidade. É um pulo! O bom é aproveitar cada momento, cada pedacinho de hora vivido para depois compilar e balancear os conhecimentos que foram adquiridos. Às vezes me deparo no espelho com uma velha, pra lá de tantos anos. Sério, agora já foram quase 20 anos em 4 vividos apenas dentro do curso em parceria com as atividades extra-curriculares que saí por aí me aventurando (nas quais tenho muito orgulho). Muita vivência, aprendizado, gente de todo o tipo, normas e muita prática acadêmica me rechearam nesses últimos tempos. O amadurecimento vem em larga escala e percebo: é nítido. A única coisa que nunca muda é a essência... "É melhor ser alegre do que ser triste"

Agora, com açúcar e afeto, é hora de conquistar o mundo..

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

XXII

abre aspas..

A Idade de ser F E L I Z

Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente e desfrutar tudo com toda intensidade sem medo nem culpa de sentir prazer.

Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.

Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa...

Fecha aspas para Mário Quintana.

sábado, 17 de outubro de 2009

em tempo

Uma senhorinha, muito firme, com olhar intenso, de média/baixa estatura, cabelo meio engruvinhado que nem o meu, acinzentado pelo tempo e bastante ajeitadinho, me parou na sessão horti do supermercado. Eu, naturalmente destraída para o meu redor, concentrada no mamão ao som regional preso nos meus ouvidos, mal a enxerguei. No entanto, tão intensa que ela era, depois de uma fração, consegui decodificá-la ao meu lado que já dirigia-se a mim a alguns minutos. Larguei o fio da orelha e sorri. De cima a baixo, olhou-me e sem hesitar perguntou: "Você né daqui não, né?". Acostumada com esse tipo de análise, respondi e me dediquei àquela conversa passageira. Em seguida, parti para a sessão de limpeza. Olha ela lá também, mas ia atrás de macarrão... Desta vez, me apresentou à sua amiga - essa já tinha tinta vermelha no cabelo, batom e ruge entre as marcas de seu rosto - e fez questão de dizer que eu estaria prestes a casar e a ser mãe (!); no momento, passou uma conhecida e soltou meu nome pelo ar... A velhinha, muito querida, já indo embora para a sessão correta atrás de seu mantimento, provou ter a audição ainda bem apurada e concluiu: "e ainda por cima tem um nome lindo!". Acho que quando eu estiver na mesma idade que a dela, serei desse jeito. Afinal, dizem que quando envelhecemos diminuímos de estatura.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

além do que é aquém

Engraçado é viver o pesadelo de alguém, na verdade, reconhecer que alguém vive um pesadelo exatamente a um palmo seu de distância. - Isto é, sobretudo, angustiante!
Saber que poderia fazê-lo deixar de viver o pesadelo apenas induzindo-lhe à sensibilidade de respirar de vez a realidade... (Esta que, assim sendo, transcende, vai além do varal da Janela; intercepta paredes cinzentas, fechadas de fachadas, simples e ao mesmo tempo, mórbidas)... enquanto que, no final das horas, você percebe insustentavelmente que o pesadelo daquele seu vizinho de conversa seria detectar a área de serviço nebulosa, densa e gelada; aquém de qualquer visão que você pudesse ter.

Difícil de não merecer o escárnio momentâneo. Quando o pós-tudo acontece, sua'lma é desestabilizada e torna-se improvável conseguir conceber uma idéia tão crua quanto àquela de não acompanhar a infinitude do horizonte que uma janela aberta (seja qual for) proporciona.


Resultados de uma pesquisa no dicionário online:
aquém (à) - adv.
1. Para cá, do lado de cá; menos.
2. Inferior.

janela (é) - s.f.-(latim vulgar januella, diminutivo de janua, -ae, porta, entrada)
j: Abertura feita em parede ou telhado de uma construção, para deixar entrar claridade e ar.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Prepositando inspiração alguma

Para acordar, pantufa
Para o café, empaste
Para o trânsito, pedale
Para cada placa, um pedestre
Para o carro, ruído
Para bicicleta, apito
Para o cachorro, buzina
Para o banco, praça
Para o inimigo, pandorga
Para o aflito, cabana

Para a criança, um pé-de-quê?
Para o padre, desbatina
Para Michael, Olodum
Para Pelé, zebú
Para a verdade, mentira
Para o alto, descalce
Para o nordeste, desembale

Para o amor, dois peitos
Para admirar, o enlaço
Para a paixão, pimenta
Para namorar, o encanto
Para o andar, degrau
Para o cítrico, natureza
Para sobreviver, álcool
Para permanecer, o gel

Para a mandíbula, pão
Para o verso, durex
Para o que não se é, descarte
Para amizade, o sonoro
Para escutar, Novos Baianos
Para dançar, Jovem Guarda
Para se permitir, entenda
Para o pudor, receita
Para tentação, a mordida
Para a moça, Cecília
Para o mar, Paiva

Para o asfalto, trajeto
Para o santo, afeto
Para o seu voto, traquejo
Para o devoto, festejo
Para o insólito, descarte
Para preservar, um mote
Para o velho, o virote
Para a noiva, idade
Para o sexo, vontade
Para o instinto, selvagem

Para o tinto, suave
Para Branca, Detetive
Para o molho, Mostarda
Para conversar, minuto
Para viver, pulso
Para sentir, família
Para se ver, monóculo

Para sorrir, um acorde
Para sofrer, acorde
Para fugir, levante
Para andar, parênteses
Para retirar, apêndice
Para finalizar, o início
Para o meio, começo

domingo, 27 de setembro de 2009

Reflexo de um domingo

Pior do que ter um compromisso todo seu, consigo mesmo, é ter que encará-lo de uma forma em que a sua ansiedade toma conta, te encobre com pavor e, ao mesmo tempo, te acoberta de qualquer peso na consciência.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Meio copo


Encontro-me em diarréia
de idéias e pensamentos.
Tudo muito solto.
A mão sobre a testa, o suspiro cheio de fadiga,
torna o corpo, arduamente, lento e pesado.
Penso duas vezes e me vejo em cólicas
desvalidas.
Aprecio o copo meio cheio e meio vazio.
Metade enxerga o que não é visto
e a outra metade, sem transbordar, equaliza
- tendo os dois males para si.
Mas, ainda assim, o intestino arrepia
Salta, expressa, sensibiliza,
pelo simples ato de agir na inconformidade casual.

E o espaço entra em cena, desmerecendo o que já foi palpável,
tangível. A diarréia mói os pedaços.
Tudo muito solto, sem amarrações, justapondo a confusa percepção.
Sem sequer saber o que se quer dizer, e a ampulheta sem dó, vive da diarréia humana.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

t a r p í c u l a s


do contrário
encontro em cada pedaço
pelo espaço,
pedaços
pelo chão.
enlaço
o que penso
ao te ver passar com munição - ainda assim;
disparo
o sentimento
que, de pedaço em pedaço,
catando os do chão,
com ou sem munição,
às vezes me deixa
no espaço

sábado, 12 de setembro de 2009

À construção?

Ao caminhar nas ruas exclusivamente desenvolvidas, com gente de bom porte, nariz empinado e com uma textura cinzenta pairando no ar, deparei-me com uma loja vazia, mas cheia de tapumes no chão, escada montada e várias latas espalhadas pela calçada.
Era construção.

Máscaras que não denunciavam mais o rosto de ninguém, operários que passariam despercebidos por toda sua beleza que incita o padrão europeu, no entanto, me surpreendem por conta de todo traquejo preparado para fazer jus àquele tapume montado no chão.
Ou era gripe?

O vírus bactericida espalhado pelo estado de divisa com o tráfico de dosagem latino americano já faz parte do cotidiano de cada um que por lá respira. Mas o incomum é saber que existe gente com tão pouca honra e caráter para dissipar as micro moléculas que circundam nesse lugar; tornando a gripe um mero acessório de pendurar no rosto e a sensibilidade, algo involuntário e sem permissão. A escada com tapume; à construção. Porém, a gente fétida, bonita até a última ponta, denunciam a doença que não larga de ninguém. Com aquele vírus de preconceito, frio, cinzento e particularmente esnobe; de pura incompaixão humana impregna nos olhos de quem está de passagem, como conjutivite.

A construção desencadeiando saudáveis reflexões.