terça-feira, 26 de abril de 2011

O trânsito como cartão postal



Quem não conhece a ponte Estaiada de São Paulo? E a Rio-Niterói? Como também não saber das vias estrategicamente calculadas de Brasília, da estrada de Santos e dos corredores livres de Curitiba? O Brasil possui algumas referências de trânsito que em sua maioria se tornam inspiração para configurarem as silhuetas das cidades, e com propriedade. Como estes, há muitos exemplos na Europa e nos países ‘inteligentes’ que compõem importantes blocos econômicos do lado de lá do Atlântico.

Sem precisar ir longe demais, ainda na América, subindo um pouco o trópico do equador, existe um estado conhecido pelos filmes e desenhos de velho oeste, como também devido ao seu peculiar tempo seco e habitantes ‘red necks’. Mais do que superar tamanho estereótipo traçado, é mostrar qualidade de vida e harmonia entre os cidadãos que nele vivem.

Assim como bem acontece nos demais 49 estados da terra comandada por Obama, o Arizona tem um trânsito limpo. Quero dizer que em todas as cidades que nele forem percorridas - de Phoenix a Buckeye, de Scottsdale a Flagstaff -, os motoristas respeitam primeiramente ao pedestre e depois a eles próprios, seguindo sequencialmente uma cadeia humana de índices que auxiliam na fluidez do tráfego de veículos. (Tal qual receita de bolo que em qualquer lugar leite é leite, farinha é pó branco que dá sustança e assadeira tem ou não buraco no meio.)


Imagine que só em alguém pensar em atravessar, o motorista que circula nas vias do Arizona para seu carro e espera o tempo que for para que o percurso pelo transeunte se complete. Não importa hora, tampouco local. É preciso apenas que o pedestre circule nos locais permitidos para passeio, já que em terras americanas, o que mais se tem é autopista e, neste caso, gente fora do veículo não é nada recomendado.

Falando em recomendações, se o carro quebrar em alguma dessas highways, o condutor deve permanecer nele com todos os alertas ligados. Com a sinalização, ele aciona a emergência e, aí sim, consegue trocar o pneu a salvo, checar o óleo ou essas coisas do tipo que sempre acontecem em automotores. Mas se o condutor se atreve a sair do veículo numa autopista dessas, ele pode ser arrastado por algum caminhão da Coca-Cola ou alguma vovó motorista de trailler ou carro comum que vem logo atrás e que, sinceramente, não o vê. Se vacila é strike!

Trânsito por aqui é prioridade – bem como tem acontecido em cidades inteligentes no Brasil, como Aracaju, que tem constatado as reais necessidades e atuado para diagnosticar o caos que a pequena notável tem vivenciado; com seus veículos que a engolem em plena luz do dia enquanto percorrem as vias que a viu e a ajudou desenvolver. Mobilidade é o tema que, ao meu ver, é o dos mais bem discutidos no Mundo, já que tem aliança de compromisso com sustentabilidade e desenvolvimento (social, econômico, ...). Por isso que o meu interesse no assunto virou uma inquietação. Perceber como acontece pelo mundo afora e como eu vivencio o tema é, no mínimo, motivacional.

Curiosidades – mais:

Mundo, diversidade, gente, desenvolvimento, sociedade, democracia...mobilidade. É tanta correlação que eu nem me assusto, posso até confundir de vez em quando.. Como também não me espanto mais se alguém me disser que um americano foi preso por ‘costurar’ o trânsito. É o que realmente acontece com uma criatura que não põe apenas sua vida, mas a de demais em risco ao fazer ultrapassagens grotescas e desrespeitando os limites de velocidade. Entenda que nesse caso o condutor além de pagar multa, é encaminhado a delegacia para ser colocado atrás das grades por um crime ‘leve’ – fiança de pelo menos cinco mil dólares para tirá-lo do mofo. Ao pagar as verdinhas vivas ao estado, o sortudo tem que buscar seu carro que fora apreendido e pagar mais tantos mil.


Já pensou, você ‘macaco-véio’ de volante, ter que voltar para as aulas de autoescola? Acontece com muitas celebridades americanas que ‘esquecem’ das leis e as infrigem. Como quem fiscaliza tudo isso é a mesma polícia que combate o crime, basta que um policial flagre a ocorrência para encaminhar o condutor à escolinha. Aliás, ele multa a criatura que perde ponto na carteira e ainda recebe uma carta de intimação em sua residência para que, aí sim, volte a estudar por pelo menos quatro horas. Caso resista aos estudos forçados, é preso. É uma bela solução de cidadania...

Cruzamentos em Phoenix, que é capital do Arizona e em Buckeye, que é interiorzão, têm o mesmo efeito – como já mencionado anteriormente, a essência das leis é seguida em todos os lugares dessa América. Semáforo aqui só é instalado em casos realmente complexos... nada que uma placa de Pare não organize. Nos cruzamentos indicando a plaquinha vermelha como sinalizadora significa que o condutor precisa ficar atento a sua vez de seguir. Isto é, a prioridade de passagem é por ordem de chegada de cada veículo no local que intercepta quatro vias. Feio é você perder a vez e causar confusão nos demais...se nesse caso você for aspirante a motorista e estiver fazendo o teste, o perde na hora. Até o momento de a gentileza gerar gentileza se tem rigor..

Um comentário:

SILVIA disse...

Muito boa a descricao do que realmente funciona: transito bem regulamentado, regras claras e motoristas atentos. Desde a auto-escola ate a terceira idade, os motoristas sao instruidos a obedecer os regulamentos de transito para nao perderem o "privilegio" e nao o direito de dirigir.
O texto de Raquel Passos eh tao claro e preciso quanto os regulamentos de transito na terra do Tio Sam.
PARABENS!!!