segunda-feira, 10 de maio de 2010

Santa Paciência viajou para longe


Fiquei ansiosa durante aquele dia todo para poder encontrar os amigos no fim das minhas atribuições, mas, sob a intervenção de apenas um, meu gosto foi por água abaixo e... ainda bem! Tinha aula no dia seguinte - nessas horas eu percebo como isso se torna justificável para a nossa consciência. Às vezes preciso de alguns empurrões do tipo para conseguir enxergar o que o espelho grita diariamente... mas uma vez míope, sempre com visão turva. E é o que realmente acontece.
Tem acontecido.
Não sou mais aquele ser humano dotado de litros e quilos de toda a paciência do mundo, cujo intuito sempre tinha a ver com a predisposição dos outros. Sim, era muita importância dispensada a criaturas que, logo em seguida, me dariam aquela cotovelada "sem querer" na boca do estômago - a mesma que damos quando subimos no ônibus coletivo e identificamos uma situação da qual precisamos agir. Então!
Essas intervenções me cansam.
Têm me cansado.
Acho que estou contando com a regressiva de tempo para o ano que vem. Não sei mesmo o que meu subconsciente tem planejado. Quer dizer, sei sim e tentei explicar.
Já não respiro mais a poesia das coisas que me representavam à vida, nem faço lá muita questão. Tenho achado muito pertinente acordar, sorrir e dormir para conseguir sobreviver e o quê? Chegar até o ano que vem, como eu disse.
[Depois que nossos rostos ficam à disposição da não bondade dos outros e levamos aaaltas na cara, ficamos assim. Nem se iluda.]
Mas é isso.

Sem paciência para os "muito doidos" que surgem na minha vida e que insistem em se envolver comigo. Até caio nessa, mas tenho tido uma percepção mais aguçada sobre essa perspectiva e me cobrado ações mais decisivas quanto a isso. O cara que se habilita a ser "bicho grilo" a essa altura do campeonato (da vida!), para mim só é aceitável quando ou é muito inteligente ou sabe tirar proveito da famosa tríade woodstockiana setentista. Não é a toa que tenho um amigo muito específico que cabe diante do contexto; não o aturo, porque faço mais que isso: o respeito e justamente nesse sentido que ele é um dos meus melhores. Tem minha consideração por saber conciliar tamanha inteligência com as maluquisses empregadas pela própria vida que o mesmo as atribui e ainda encorpora. Desde o ginásio...

Já outras criaturinhas, bicho, sem tesão nenhum para tentar aturar. O bom é que a pessoa que deveria ler tudo isso, não dá a mínima para esse hábito, se confunde nos pensamentos, não consegue agir com eficácia e acha que sabe de alguma coisa. Dá uma dó.
E a minha santíssima paciência, que deveria me rodear, pegou suas roupas no varal da vila do Chaves, já arrumou suas trouxas, conseguiu carona com o pica-pau e foi para muito mais longe que o mundo subterrâneo da Alice da nova juventude. A minha paciência atravessou gerações... tá muito longe, inclusive, de ser (re)conquistada.



*Os mais sábios me dizem que esse relato e outros tantos formam um conjunto típico para a idade. Quando o caju deixa de ficar travando, sabe?


Imagem: universo Google

2 comentários:

Pseudokane3 disse...

A música que menos gosto da nova "modinha" cearense, o Cidadão Instigado, chama-se justamente "Doido". Desgosto-a justamente por motivos similares ao que descreveste neste texto... E, sim, vi teu comentário hoje e... É isso, eu tentarei, juro que tentarei...

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Jackie Tequilaa;* disse...

Minha cabeça deu um nó....

Mais uma vez temos algo em comum: A despedida e desapego à amiga paciência!!!

( adorei o novo formato daqui...)
Beijo Flor!